Confira
as fotos do evento
Quase um ano
de preparativos, reuniões, churrascos,
estudo dos mapas, roteiros, consultas
na internet.
Documentos
pessoais e das motos em dia
, motos revisadas na oficina do
Jorge, enfim tudo pronto, rumo ao fim
do mundo.
USHUAIA
aqui vamos nós.
Sábado,
31 de janeiro de 2004, início da viajem,
o dia parecia sorrir para nós.
Como
combinado, aí pelas 6 horas da manhã (
já não conseguíamos dormir direito há
alguns dias), encontro no posto da rótula,
lugar da saída.
Lá estávamos, Juan Guadalupe Cortes ( Suzuki
V-Stron 1000), João Renato Lopes ( Suzuki
GSX 750 ), Edson Steglish ( Yamaha Virago
1100),
Jefersom Marchiori ( Yamaha TDM-900)
e eu , Ariberto Sendtko Filho ( Honda
CB 500). Os últimos quatro, integrantes
da Iron But Association.
Também
estavam lá, alguns companheiros do Grupo
Gaudérios do Asfalto, de Santa Maria,
RS, do qual fazemos partes. Amigos, aventureiros,
parentes, que levavam consigo desejo de boa sorte em
nossa jornada.( Cleber, Rogério , Julio,
Ermeto, Fellipe e Wilma Lopes).
Saímos
com o sol e a felicidade irradiando nossas
faces, acompanhados por alguns quilômetros
pelo Cleber.
Passando
por Rivera ( primeiro problema mecânico,
os cabos da bateria da moto do Edson se soltaram) ,e aí começa a história de
fazer novas amizades, o Edson é especialista,
entramos no Uruguai ( muitas vezes, os
tramites alfandegários foram facilmente
resolvidos devido aos anos e quilômetros
de estrada do Jeferson ). Já no Uruguai,
em Tacuarembó, encontramos dois motociclistas
( 125 cc) de Dom Pedrito , voltando do
Ushuaia.
Seguindo viagem , o tempo começou a mudar, e
a tempestade se aproximava, quando chegamos
a Payssandu, já rolava muita água.
Atravessamos
a fronteira para a Argentina e pernoitamos
em Colon. Seguindo viajem pelo entroncamento
rodo-ferroviario e o complexo de pontes
de Zarate, pegando a ruta 3,
a oeste da grande Buenos Aires,
passando por Lujan , com sua belíssima
Catedral, indo pernoitar em Três Arroyos,
a mais ou menos
3000 km de Ushuaia ( já tínhamos
percorrido em dois dias em torno de 1800
km).
Pela
Ruta 3, nos eram apresentadas paisagens
novas, como inúmeras plantações de girassóis
e muitos geradores aeólicos de energia,
Iniciando-se as infindáveis retas que
pareciam terminar no horizonte.
Seguindo
por Bahia Blanca , Rio Colorado, Sierra
Grande até Puerto Madry, onde pernoitamos, e chuva ainda castigava, mas dando
folga em alguns momentos.
Em
Puerto Madry, em um serviço de solda,
consertamos o suporte das maletas da moto
do Jeferson , que tinha trincado, e alguns
quilômetros depois ( 80 km), em Trelew,
paramos em uma oficina “especializada
de beira de estrada”, para novamente consertá-lo,
o que resolveu o problema até o final
da viajem, e o Steglish sempre “fazendo
amizades” .
Seguindo
pela Ruta 3 , perto da entrada para Camaronês,
em um posto de gasolina encontramos o
Sérgio e sua família, do GELOBOM , brasileiros de São Paulo em um motorhome, também viajando em direção
ao sul.
Passando
rapidamente por Comodoro Rivadávia, região
grande extratora de petróleo, onde se
observavam incontáveis “cavalos mecânicos”
perfurando a terra. Em um posto de gasolina perto de El Salado, encontramos
mais alguns brasileiros motociclistas
de Porto Alegre e São Paulo voltando do
Ushuaia e um casal de Brasília indo ao
fim do mundo.
Por
volta das 10 horas da noite ( ainda claro,
pois quanto mais ao sul mais tarde é o
anoitecer)chegamos em Porto San Julian,
e enfrentamos a nossa primeira dificuldade
em conseguir alojamento.
Seguindo
pela Ruta 3, onde a paisagem quase começa
a se tornar cansativa, pois não muda em
alguns mil quilômetros ( muita pedra,
pouca vegetação, raras pessoas), ao ultrapassarmos
uma montanha, tem-se uma agradável surpresa,
Piedra Buena, um oásis no cenário desértico
da Patagônia. Mais algumas centenas de
quilômetros e chegamos a Rio Gallegos,
e neste local alteramos nossa rota, saindo
da Ruta 3, pegando a Ruta 5 ( tudo previamente
planejado) partindo em direção a Esperanza
( no mapa
parecia uma cidade, na realidade
um bolicho e um posto de gasolina) e chegando
a El Calafate.
Indiscritível
El Calafate, as imagens ( filmagens ,
fotografias) não conseguem traduzir a
beleza e imensidão do lugar.Fizemos três
pernoites nesta cidade.
No
primeiro dia, fomos ao Puerto Bandera
( pequeno porto no Lago Argentino, que
banha as encostas da Cordilheira dos Andes),
tomamos um barco tipo catamarã e passeamos
por mais ou menos 10 horas , pelos braços
do Lago Argentino, passando pela
Boca Del Diablo, Glaciar Spegazzini,
Glaciar Upsala, Bahia Onelli, Bahia Cristina
, etc.
Recolhemos
pedaços de icebergs para o convés do barco
e saboreamos um belo whisky 20 e poucos
anos, com um gelo de no mínimo 300 anos(
muito bom ).
As
imagens que ficaram em nossa lembranças
são incríveis, e a cada vez que as lembramos,
os nossos corações aceleram, como se estivéssemos
com a mão direita sempre pronta, para
ouvir o barulho do motor.
Voltando
a noitinha a El Calafate, cidade simpática,
povo simpático, uma verdadeira Torre de
Babel, pois em qualquer lugar que chegávamos,
haviam diversos idiomas no ar ( inglês,
francês, alemão, espanhol, português,
turco, italiano, etc).
Em
um determinado momento, apareceu um turco,
que viu nossas motos estacionadas na frente
do hotel, e entrou nos procurando, pois
disse ele ( o que deu pra entender) que
viu os adesivos em nossas motos do Iron
But Association, e ele também era um,
lá da Turquia ( encontro muito gratificante).
Na
manhã seguinte, partimos em direção ao
famoso Glaciar Perito Moreno. Fantástico
bloco de gelo, que parece não ter fim.
Sentíamo-nos pequenos seres
quase que insignificantes
ante a beleza e ao tamanho da visão. Um
paredão de gelo com quase 30 metros de
altura por alguns quilometro de largura
e quase uma centena de comprimento, só
vendo para crer. A cada rompimento de
uma lasca do gelo, o barulho estrondoso
de sua gela na água, ou sua queda em meio
a geleira .
Neste parque, realizamos um traking
por terra, observando de longe a geleira,
indo até alguns mirantes , com visão mais
previlegiada do glaciar. Depois fizemos
um passeio de barco , pelo lago , até
perto do paredão ( uns 700 metros dele,por
medida de segurança), pois os que se aventuraram
a chegar mais próximos que isso, muitos
não voltaram para contar a história.
Os jantares sempre fartos, eram o ponto
de êxtase do dia transcorrido, era o momento
de relatarmos aos outros as emoções sentidas.
Na manhã seguinte , partimos pela Ruta
5 , de volta Rio Gallegos (a idéia inicial
era ir a Puerto Natales e descer até
Punta Arenas pelo Chile, mas abortamos
esta idéia, pois a quilometragem no rípio(
estrada de pedrinha redonda e lisa, tipo
um cascalho) era muito grande), e próxino
ao Monte Aymond atravessamos a fronteira
com o Chile no Paso Integracion Austral,
onde encontramos um motociclista australiano,
e o Steglish “fazendo amizades”.
Estávamos no Chile, a caminho de Punta Arenas,
no caminho a estância San Gregório, fundada
em 1876, um gigantesco complexo de prédios
e galpões no meio do nada ( campo) e às
margens do estreito de Magalhães, uma
das maiores exportadoras de lã do país.
Punta
Arenas , onde fizemos dois pernoites,
em no Hostal de La Avenida, pousada familiar
muito simpática, onde depois de muitos
dias , voltamos a ter uma café da manhã
quase igual aos cafés brasileiros.
Cidade
antiga, casario típico de sua colonização
espanhola, subindo o Morro da Cruz, uma
visão ampla de toda a cidade.
Na
manhã seguinte fomos até a Pinguinera
Seno Otway,parte do Estreito de Magalhães
banhado pelo no Oceano Pacífico, onde
pudemos conhecer os pingüins da espécie
magalhanes.De noite, janta , no restaurante
do mercado.
Queríamos
atravessar o Estreito de Magalhães, de
Punta Arenas a Pourvenir ,na Ilha do Fogo,
mas nos domingos e segundas feiras não
há embarcações , então resolvemos voltar
para cruzar o famoso estreito de Punta
Delgada a Cerro Sombrero.
Ao
chegarmos ao porto, uma placa muito grande
dizia, Bienvenidos al Estrecho de Magallanes
, atravessamos em uma barca muito grande,
muitos ônibus, caminhões, carros e nossas
motocicletas. A essa altura do campeonato,
éramos autoridades, pois todos nos queriam
ver, conversar, tirar fotos conosco. Pois
tinham que ser muito malucos, para virem
do Brasil ( já tínhamos feito uns 5.000
km desde a saída) de moto até aqui.
Atravessamos,
pisamos na famosa Terra Del Fuego, mais
uns dez quilômetros rodados e acabou o
asfalto, era o temível rípio pela frente,
mas que nada, o encaramos com destreza,
própria de estradeiros
aventureiros.
Deparava-mos
com manadas de cavalos na estrada, vez
por outra alguns guanacos teimavam em
competir com nossos motores ao longo da
estrada, pelo acostamento ou mesmo pelo
campo, indescritível.
Novamente,
tramites alfandegários em San Sebastian,
e saímos do Chile , entrando novamente
na Argentina, seguindo em direção a Rio
Grande ao Lago Fagnano, onde inicia a
subida da Cordilheira dos Andes ( muito
rípio, mas estão em obras, e daqui a alguns
anos, talvez uns 4 ou 5, será tudo asfalto,
espera-se).
Rodando
pela cordilheira a visão era de beleza
ímpar, curvas, penhascos, rochas, neve
nos picos, lagos, vegetação característica).
Grata surpresa tivemos ao chega no topo
da cordilheira, pois quando começamos
a descer no outro lado, já era tudo asfaltado,
até a chegar ao Uschuaia ( apesar de asfalto,
a pista é muito perigosa, escorregadia,
e ainda mais que garoava).
De
tardinha, por volta das 21:00 horas, enfim,
chegamos ao Fin Del Mundo, Uschuaia. Novamente
o problema de alojamento, já eram em torno
de 10 horas da noite e ainda estávamos
procurando, até que resolvemos ficar em
um albergue familiar, para no outro dia
resolvermos o que faríamos, pois estávamos
cansados ( o rípio cansa o corpo e ea
mente).
Como
detalhe, sempre dividíamos os quartos,
como éramos em cinco, geralmente ficavam
3 num quarto e 2 no outro, quando não
dava, sorteávamos as camas, os beliches,
quem dormia no chão. Neste alberge familiar,
conseguimos 3 quartos( mas não os tínhamos
vistos ainda) e como o Jéferson normalmente
perdia os sorteios e nas últimas noites
foi o que ficou mais mal acomodado, decidimos
deixar o quarto individual para ele, qual
a nossa surpresa geral e em especial a
dele, quando viu o seu quarto, mais parecia
um armário embutido, sem ventilação, a
flauta corre solta até hoje, foi o único
que consegui a proeza de dormir em um
armário.
Na
manhã seguinte, procuramos novas acomodações
um pouco melhores e nos instalamos na
Hosteria Alakaluf, simples mas bem localizada,
no centro da cidade ( bem melhor), e tiramos
o restante do dia para cuidar de quem
nos levou até lá, nossas motos. Lavagem,
lubrificação, troca de óleo ( neste item
tem outra história interessante, pois
“era com acssitência”), enfim motos prontas
para voltar, isto é quase pronta, pois
eu ainda necessitava de uma cubierta para mi moto, e como estava difícil
de encontra-la. Só a consegui ( de Sahara
) graças a um maluco, piloto de kart,
que rodou uma tarde inteira em seu coche
, chovendo e resolveu o problema de
mi
moto .
Manhã
seguinte, passeio de barco pelo Canal
de Beagle, uma linda vista do mar para
Uschuaiai, na encosta da cordilheira.
Passamos pelo Farol de Eclaireus, Isla
de Los Lobos, onde habitam milhares de
lobos marinhos e aves da região (Cormorão), estávamos a 1000 km da Antártida e a
3040 km de Buenos Aires. Passeio com duração
de umas 3 horas, com retorno ao porto.
Como ainda era meia tarde, fomos conhecer o
Cañadon Negro e o Glaciar Martial, para
isso, subimos a cordilheira até determinado
ponto e pegamos um teleférico, e subimos,
subimos, subimos. Descemos do teleférico
e seguimos a pé, sempre subindo. Lá de
cima , agora avistávamos o Uschuaia das
montanhas,com o Canal de Beagle a suas
costas, momentos antes avistávamos, do barco, no Canal
de Beagle, o Ushuaia com as montanhas
em suas costa, parâmetro interessante.
A
medida que subíamos o ar ia ficando rarefeito,
e a certa altura , eu sentei e empaquei,
aí o Juan disse que ficaria comigo, os
outros seguiram adiante, alguns minutos
depois o Jefersom
voltou, sentamos e ficamos admirando
a paisagem e respirando um ar muito puro,
de depois de refeitos, começamos a descida.
O Steglish e o Renato continuaram a subir
e voltaram um pouco mais tarde.
A
essa altura da viagem, já tinha uma certa
história de “rusticidade”, pois precisa
ter uma certa rusticidade para fazer acontecer
a história que estávamos fazendo. Depois
da subida, os dois , começaram a flautera que não bastava só ter rusticidade (mas haveria
de se ter) sem “tutano”, pois foram só
os dois que foram quase até o pico para
pisar no gelo e fazer algumas fotos.
Voltamos quase
noite à cidade, passeamos, compramos uns
salgados, um White Horse, um saco de gelo. De noite, nos
reunimos em um dos quartos, para sorver
o malte e dar boas risadas, com comentários
de nossa viagem até este dia ( esquecemos
de jantar).
Na
manhã seguinte, pegamos as motos e fomos
ao Parque Nacional Terra Del Fuego, Bahia
Lapataia, onde finaliza a Ruta 3, estávamos
a 3063 km de Buenos Aires.
Sacamos una película,
em frente a tradicional placa do parque;
motos, bandeira do Brasil, Rio Grande
do Sul e dos Gaudérios do Asfalto(um dos
objetivos de nossa viagem).
Ainda
dentro do Parque, saímos em direção a
Bahia Ensenada , Canal de Beagle, pegando
um barco inflável, para umas dez pessoa
e fomos a Isla Redonda ( o Juan abortou
esse passeio), onde esta localizado a
Unidad Postal Fin Del Mundo – Correo Argentino,
para carimbar nossos passaportes ( outro
objetivo de nossa viajem).
Missão
cumprida, queríamos retornar a bahia,
mas o barco tinha que esperar os outros
visitantes que tinham saído caminhar pela
ilha, a opção era tomar um outro barco
inflável( não sei se dava pra chamar de
barco), para 4 pessoa ( viemos em cinco,
pois tinha o piloto). Pra começar, quando
ligou o motor, este começou a falhar,
tome aceleração, e lá vínhamos nós, com
a frente do barco erguida e de vez em
quando , batendo na água ( e frio era
intenso). Uns 15 minutos depois estávamos
na Bahia (sãos e salvos, graças a Deus),
o Juan nos espera ansioso.
Depois
destas aventuras, saímos do parque e passamos
pela Estación del Fin Del Mundo – Ferrocarril
Austral Argentino.
Voltamos
à Uschuaia, tomamos um chocolate quente,
e como ainda era cedo, resolvemos fazer
outro passeio , na Estação de Esqui de
(o Juan abortou esse passeio), onde existe
, na temporada de inverno, uma verdadeira
multidão de esquiadores.
Estava
muito frio, pois tinha chovido na noite
anterior.Acho que foi o dia mais frio.
Pegamos
a cordilheira e fomos até a base as estação
Cerro Castor, onde pegamos o teleférico
estrutura bem melhor que o teleférico
anterior ) e subimos até uma determinada
altura, onde tinha uma base na montanha.
De lá poderia se tomar outro teleférico,
para ir até mais alto ( mas estava em
manutenção), mas nos contentamos em ficar
uns momentos por ali admirando a magnífica
paisagem .
Retornamos
a cidade a noitinha, passeamos, compramos
lembranças para os amigos e familiares,
fizemos uma boa refeição em um restaurante
tradicional da cidade, com direito a champagne.
Manhã
seguinte, fatídica, para mim e para o
Juan.
Saímos
de Uschuaia, felizes, realizados, como
diz meu amigo Steglish, sensação de missão
cumprida, mas ainda faltava toda a volta.
Passamos
pela cordilheira, fazendo o caminho inverso,
entramos no Chile, em San Sebastian, e
pegamos o rípio.
Entre
San Sebastian e Cerro Sombrero ( estrada
de rípio, somando todos os trajetos de
rípio , no total foram em torno de 500
km ), em uma determinada curva, encontrei
um ônibus no sentido contrário, estrada
com trilho somente para um automóvel,
recém patrolada, já dá pra prever o resultado.
Para não bater de frente com o ônibus,
saí da estrada e peguei o camaleão alto
de pedra que fica nas laterais, pois a
medida que os coches
passam, empurram as pedrinhas para
o lado. A moto jogou de um lado para o
outro ,e legitimamente , capotou, pois
estragou as duas laterais , em cima e
toda a frente ( bolha, mesa, faróis, sinaleiras,
espelhos, etc). Minha maleta lateral de
fibra, ficou como um quebra-cabeças.
Lembro
somente de ter desequilibrado e quando
vi, estava deitado no chão, vendo a moto
caída, vazando gasolina de seu tanque,
rapidamente me levantei , ergui a moto,
e aí sentei e senti o tombo. Neste momento,
chegaram o Juam e o Steglish e o Renato
que estavam vindo atrás de mim, e pararam
para me auxiliar, momentos depois fiquei
sabendo que o Juan também tinha caído
alguns metros mais atrás e o Steglish
o tinha ajudado a levantar, mas nada grave.
Logo
em seguida,
retornou o Jeferson, que estava a minha frente, pois
não viu
mais a poeira na estrada( tínhamos
que dar uma distância entre um e outro,
pois a poeira era intensa, na estrada
recém patrolada)
Quis
levantar, mas não deixaram. Disseram para
ficar sentado, enquanto o Juan me prestava
assistência, enquanto que os demais companheiros
ajeitavam a moto ,a fim de permitir que
continuasse viajem.
Andamos
mais uns 200 km, e chegamos a Rio Gallegos,
já na Argentina, fomos a um hotel, e aí
o nível de adrenalina diminuiu e começou
a aumentar a dor. Fui a um hospital, sempre
acompanhado pelo Juan ( médico) fazer
alguns exames,Raio X , etc, e como não
foi constatado fraturas, na manhã seguinte
seguimos viagem ( eu segui abaixo de analgésicos
e anti-inflamatórios, mas doía bastante
e tínhamos ainda em torno de 4.000 km
para rodar). E sem a bolha da moto, o
vento me incomodava muito, chegamos a
Comodoro Rivadavia , no meio da tarde.
Aproveitamos para conhecer a cidade, eu
saí na garupa do Steglish. Encontramos
alguns motociclistas locais e demos umas
voltas com eles. Pernoite em um bom hotel
, com um fantástico café da manhã ( parecia
Brasil, pois na Argentina o café normal
é uma xícara de café , uma ou duas meia
lua, e uma ou duas torradinhas).
Seguimos
em direção a Trelew, onde tínhamos a informação
que conseguiria um novo parabrisas, e
foi o que ocorreu. Seguimos com intenção
de ir a Puerto Pirámide, na Península
de Valdez. Já na península , depois de
muitos quilômetros rodados, tinha uma
cancela, onde era cobrada entrada para
o parque ( muito cara , quase que uma
diária de hotel, e ra só pra entrar).
Resolvemos abandonar o passeio e retornar
a Puerto Madry para reabastecer e seguimos
até Sierra Grande ( cidade quase que desaparecendo,
antigamente era lá que existiam as maiores
minas de carvão, ferro , da Argentina,hoje
vive do turismo de conhecera as cavernas
deixadas pelos mineiros) onde pernoitamos.A
noite , saímos e fomos comer uma parrillada
típica do local, em uma parrilla muito
peculiar.
De Sierra Grande,
passando por Viedma, Bahia Blanca, Três
Arroyos, Necochea e chegando a tarde em
Mar del Plata.
Nos
instalamos em um big hotel ( 10 pesos
por pessoa, imaginem ) e saímos conhecer
a cidade e a praia ( praia cheia de enseadas
artificiais, com exploração privada na
maioria dos locais, mas muito
bem cuidada). Depois de muito caminhar
pela orla marítima, como tínhamos muito
tempo sobrando, resolvemos fazer um city
tour, com um ônibus estilizado de barco
“El Barquito Delfim”. Podem imaginar as
cenas ( muitas ridadas), passeamos por
algumas ruas e avenidas, fomos ao porto
e retornamos ao hotel.A noite saímos a
pé para
jantar, muitas quadras depois resolvemos
pegar dois táxis para nos levar ao local
escolhido ( táxi na Argentina é muito
barato). Um bela janta.
Na
manhã seguinte , pegamos a Ruta 2
e seguimos em direção a Buenos
Aires, onde chegamos por volta do meio
dia, almoçamos e fomos ao Puerto Madero,
pois queríamos atravessar o Rio de La
Plata de Buquêbus para Colônia del Sacramento,
no Uruguai, mas para nossa surpresa, os
horários de travessia estavam descompassados
com os nossos horários, então resolvemos
pegar o próximo buquebus e ir a Montevidéu, onde chegamos a tardinha. Nos alojamos em um
hotel , na parte velha da cidade, e dá-lhe
parilla de novo.
De
manhã, saímos e fomos até uma prainha
a uns 30 km de Montevidéu, visitar uma
amigo do Jeferson , que trabalha em Santa
Maria. Retornamos a Montevidéu, e quando
estavamos abastecendo, entrou no posto
um motociclista solitário, brasileiro,
de São Paulo, o Zé Meireles. Conversamos,
e ele resolveu alterar sua rota e seguir
conosco. Perto de Tacuarembó, paramos
parar tirar umas fotos na estátua de Gardel
( da saída até minha queda, eu tinha tirado
umas 1500 fotos, depois da queda, a vontade
já não era a mesma, e as fotos foram rareando).
Chegamos a Rivera, alfândega , e BRASIL,
estávamos em casa.
Pernoitamos
no lado brasileiro , em Santana do Livramento
, jantamos com nosso novo amigo, o Zé,
e pela manhã tomamos café juntos. Aí o
pessoal queria comprar uns queijos , etc,
em Rivera ,antes de sair.Demoramos,
e o Zé
partiu em direção a Porto Alegre,
depois São Paulo.
A
essa altura , recebíamos inúmeras mensagens
e telefonemas , dos amigos de Santa Maria,
que queriam saber onde estávamos e que
horas chegaríamos.
Passando
por Rosário do Sul, São Gabriel , pela
Br 290 até o trevo da Br 392 , em direção
a Santa Maria.
Ao
fazermos o contorno do
trevo, uma surpresa, no asfalto
, escrito com tinta branca, tinha uma
mensagem de “Boa Chegada” e assinada pelo
nosso novo amigo, Zé Meireles. ( São pequenos
gestos como este, que confirmam que motociclistas
são uma grande família ).
Chegando
perto de Santa Maria ( uns 20 km ) , estavam,
amigos, companheiros, familiares, esperando
na estrada, nossa chegada.Sensação maravilhosa.
E fomos em comboio até a cidade.
Chegamos
em casa, dia 21 de fevereiro de 2004,
22 dias de viajem, na minha moto,
9978 km, vamos arredondar para 10.000
km de sonho realizado. Um ano de planejamento
tornado realidade, quem nos visse
falar um ano atrás, jamais imaginaria
que iríamos mesmo fazer esta viajem.
Apesar
da queda, que depois ficou constatada
uma lesão entre a clavícula e o acrômio,
fiz mais 4.000 km, pilotando.Mas com certeza
, valeu a pena e faria tudo novamente.
Aprendemos
nestes 22 dias, a tolerar uns ao outros,
às suas manias, a participar de suas tristezas
e alegrias.
Esta
viajem , além da aventura, dos lugares
fantásticos que conhecemos, serviu também para o nosso crescimento pessoal,
pois aprendemos e partilhamos um pouco
de nossas vidas
Hoje
, temos histórias e estórias, para contar
para nossos netos e para o resto de nossas
vidas.
Obrigado,
amigos de estrada.
Obrigado,
amigos que aqui ficaram, torcendo por
nosso retorno
Obrigado,
família, por compreenderem , que um homem
sem sonhos, não é ninguém.
Texto
e Fotos
Ariberto
Sendtko Filho |