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PILOTANDO PELA VIDA

             Pois quando saímos por aí de motocicleta, importa desfrutar a natureza, o vento no rosto, o sentimento de liberdade, a emoção de ser parte da paisagem.

            Quando saímos de moto por aí, ostentando nossas cores, o colete com o brasão de grupo, tudo o que mais importa é o sentimento de pertencer ao grupo e saber a importância de ser parte de uma família. Tem tanta coisa ligada ao simples fato de ir para a estrada, que as vezes não nos damos conte.

            Os olhos curiosos que nos observam, dos adultos ou crianças, homens ou mulheres, estão atrás de uma referência e a primeira impressão ...

            Uma vez me disseram que não existe uma segunda chance de se causar uma primeira boa impressão.

            E nós que nos orgulhamos de ter em nosso grupo duas equipes de palestras: uma que fala sobre drogas e outra que fala de direção defensiva ... será que somos coerentes com o que apregoa nossa associação? Explico o porquê da pergunta:

            - falamos em drogas e por isso não curtimos um “baseado”, não “cheiramos” nada em “carreirinha”, não nos agrada outras “picadas” que não sejam as de mosquito nos acampamentos. Nisso tudo somos coerentes, com certeza;

            - falamos em direção defensiva, em preservação da vida, em velocidade compatível e outras coisas ligadas a segurança individual e coletiva e será que neste ponto somos tão coerentes como fomos no que tange as drogas?

            Quando ouvimos ou lemos ou vemos e lemos em sites da Internet, homenagens póstumas a companheiros falecidos em acidentes de moto, dois momentos nos vêm ao coração.

            Quando o “Estradeiro da Fumaça” perdeu a vida, voltando de um encontro, porque um carro invadiu a pista em que ele, com toda sua perícia, conduzia a sua motocicleta, levando-o a morte, nos revoltamos e choramos a perda de um companheiro alegre, feliz com sua moto e acima de tudo, motociclista consciente. ele sabia os seus limites e habilidades. Conhecia os limites e possibilidades de sua motocicleta e por isso estava na sua parte da pista em uma via de mão dupla, exatamente em uma curva. Este é o companheiro pelo qual devemos render homenagens a cada vez que isto se oportunizar, como fez a AMO em seu primeiro congresso e como fizeram “OS NOMADES” no seu primeiro “Moto e Natureza” em Vale Veneto.

            Quando um parceiro perde a vida pilotando sua motocicleta, por ter negligenciado na sua capacidade de conduzir um veículo que não conhecia a fundo, por ter negligenciado em relação as possibilidades e limitações do veículo que conduzia, por ter superestimado suas habilidades e ter subestimado seus limites, e desta forma invade a pista alheia e agride um veículo que viaja em sentido contrário provocando a própria morte e causando uma série de aborrecimentos a quem se preocupou em bem conduzir... será este um momento para homenagear? Não será este um momento para parar e pensar no que estamos fazendo, em primeiro lugar para conosco e em segundo plano para tantas pessoas que nos amam e que nos desejam uma boa viagem no momento da partida e ficam em casa sonhando com a felicidade de nos ver chegar de regresso felizes, satisfeitos e sobretudo, íntegro, vivo, a espera do nosso sorriso?

            Não sou perfeito e creio que não há homem que o seja. Somos todos falhos e por isso mesmo necessitamos que alguém, de vez em quando nos alerte para os erros que possamos estar cometendo.

            Minha intenção é realmente chamar a atenção de todos os parceiros que viajam de motocicleta por todo este território e fora do nosso país, para que dêem uma olhada para trás, quando o ponteiro marcar acima de 100 km/h, e lembrem de quem ficou em casa, dos amigos, dos irmãos da estrada que de repente terão que deixar de lado a alegria para chorar a perda de um parceiro de muitos quilômetros.

            Prudência, paciência, calma e bom estado de espírito, são ingredientes que com certeza nos trarão muito mais felicidade do que um vento mais forte ao rosto ou uma curvas mais tangentes do que os outros normalmente realizam.

            Vamos celebrar a vida e a alegria de partir e chegar.

            Vamos celebrar a grande felicidade de poder contar as histórias de nossas viagens.

            Vamos ter a coragem de dizer NÃO, para todas as provocações e para todas as tentações de andar mais rápido do que nosso discernimento e bom senso possam acelerar.

            Nós que somos motociclistas, temos o dever de colocar nossas próprias vidas, acima de todos os sonhos malucos que possam comandar a mão direita ao enrolar o cabo.

            Afinal, o que nos diferencia do animal? Porque dizer que o homem é racional se não consegue colocar hierarquicamente valores como vida e morte?

            Pensem nisso enquanto eu lhes convido para participar do Gauderiando pelo Rio Grande.

            Um grande abraço

            OSCAR DE OLIVEIRA RAMOS NETO

            Gaudério do Asfalto nº 11


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