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A INSANIDADE URBANA

Cap NETO 

         De repente um sonho de muitos anos se desfaz em um cruzamento, um trevo, uma esquina ...

         A responsabilidade pelo trânsito de quem é?

         Com certeza é das autoridades com jurisdição sobre a via.

         Com certeza, também o é de todos os cidadãos do nosso país, motoristas, motociclistas, ciclistas e/ou pedestres, pais e educadores, adultos e crianças.

         O dia-a-dia nos mostra um quadro aterrador onde as vítimas se acumulam em estatísticas frias, que escondem perdas por trás de cifras percentuais. Óbitos, lesões parciais ou irreversíveis. Paraplegias. Tetraplegias. Enfim uma série de definições técnicas que procuram afastar do nosso mundo, o terror gerado por nossa própria alienação somada ao nosso desrespeito pela vida alheia e nossa própria vida. Somente quando durante nosso deslocamento pela cidade passamos por um susto que coloca nossa fragilidade a mostra, é que paramos para pensar e resolvemos diminuir a velocidade, o que na maioria das vezes, dura quase 10 quilômetros. Somente quando algum conhecido ou algum parente se vê envolvido em um acidente de trânsito e sofre lesões de toda a forma, é que nos indignamos com a velocidade desenfreada dos veículos que circulam pela cidade.

         Até aonde pode ir nossa ignorância? Até aonde podemos fingir ignorar que nossas vidas são tão frágeis como uma “vela ao vento” (Candle in the wind) conforme cantou Elton John referenciando-se à Lady Diana, a falecida Princesa de Gales?

         Se todos somos responsáveis, porque ainda morrem homens, mulheres e crianças nas vias desse grande país?

         Se todos somos irresponsáveis, como conseguimos escrever um código de trânsito digno de primeiro mundo, com tantos artigos em louvor a vida e à segurança de pedestres, motociclistas, ciclistas e motoristas?

         Que outra função teremos que inventar para atribuir a culpa pelos erros de tantos motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres ditos atentos e preocupados com a segurança do trânsito? Sim, pois todos nos eximimos de assumir a nossa parcela de responsabilidade e de culpa pelo caos que domina nossas ruas, estradas e rodovias e assim, há que se criar algum outro bode expiatório para purgar por nossas infrações e nossos crimes.

         Se é que o bom senso ainda não morreu atropelado em um desses cruzamentos da vida, resta-nos apelar para o bom senso da população, para que preservando mais vidas no trânsito, deixem de atribuir às guerras a insensatez das mortes que anualmente, no Brasil, superam as baixas americanas no VIETNAN.

         Desacelere já!

  Priorize a vida!


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